Da entrada à sobremesa: escola de gastronomia em Brasília ensina a preparar um jantar completo em 3 horas
Com vagas limitadas, as aulas são simples e baseadas em técnicas clássicas de cozinha, para fazer qualquer pessoa surpreender amigos e familiares com pratos cheios de sabor e requinte
Imagine não ter qualquer domínio sobre as técnicas de cozinha e, com uma aula simples e didática, aprender a preparar um jantar surpreendente em três etapas. Esse é o intuito dos novos cursos rápidos que estreiam no fim de janeiro na Escola Diego Koppe, na 316 Norte.
Nas aulas, com duração de três horas, os alunos aprenderão o preparo de uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, partindo do zero. Cada curso terá como ingrediente central uma proteína animal, a exemplo de salmão, filé mignon e frango.
“Brasília é marcada pela mistura de pessoas de várias regiões do país, desde as cidades grandes às menores, onde receber visitas para um almoço ou jantar é tradição. Por isso, desenvolvi estas aulas baseadas em princípios da gastronomia, com foco em proteínas nobres, para quem quer surpreender aos amigos ou à família com pratos repletos de técnica, requinte e sabor”, adianta Diego Koppe, professor de gastronomia e fundador da escola.
Na primeira aula, em 28 de janeiro, as receitas serão: tartar e ceviche como entradas, salmão grelhado com molho de maracujá e legumes gratinados como prato principal e, para sobremesa, merengue com frutas vermelhas. Em 4 de fevereiro, com bruschettas de entrada, o prato principal será filé mignon recheado com ricota e espinafre com molho aveludado. A sobremesa é um crepe doce. No dia 17, o menu inclui como entradas creme de batata inglesa e abóbora. Para principal, coxa e sobrecoxa recheadas e assadas, servidas com legumes. Por fim, ovos nevados como sobremesa.
As aulas são realizadas das 19h às 22h. Ao fim dos preparos, os alunos consomem os pratos ensinados. As inscrições, com investimento de R$ 250 por pessoa, já incluem os ingredientes e utensílios, e podem ser feitas pelo telefone (61) 99891-3769 ou pelo Instagram da Escola Diego Koppe (@escoladiegokoppe). As vagas são limitadas.
Aulas e “jantares às cegas”
Além dos jantares-aulas, a escola está com inscrições abertas para cursos rápidos (R$ 250 por pessoa) de massas frescas, risotos, filé mignon e frango, além dos famosos “jantares às cegas”, na versão em três etapas (R$ 120 por pessoa). Nestes, Koppe prepara um jantar do início ao fim para os clientes, com entrada, prato principal e sobremesa. O diferencial está na surpresa do menu, que é divulgado somente na hora. Clientes com restrições alimentares podem informá-las no ato da reserva.
Sobre Diego Koppe
Chef, empresário e professor, Diego Koppe é dono de uma trajetória marcante na gastronomia, com mais de duas décadas atuando no ramo. O cozinheiro brasiliense é graduado pelo ICIF – Instituto Culinário Italiano para Estrangeiros, formado em Administração e tem MBA em gestão de negócios. Durante alguns anos, comandou o restaurante Babel, em Brasília.
Em fevereiro de 2022, abriu a Escola Diego Koppe na quadra 316 Norte, na capital federal. No espaço, ensina cursos livres de gastronomia com noções para quem deseja se aventurar na cozinha respeitando as propriedades dos ingredientes e as técnicas clássicas. Em junho deste ano, um dos cursos da escola teve “Pasta Design” como tema. Paralelamente à escola, o chef é diretor financeiro da Federazione Italiana Cuochi (FIC – Brasile), entidade reconhecida pela WACS (Associação Mundial dos Chefs de Cozinha).
Programação:
Janeiro
20/01 – Jantar às cegas
21/01 – Jantar às cegas
26/01 – Aula de massas frescas
27/01 – Aula de risotos
28/01 – Jantar aula – Salmão
Fevereiro
02/02 – Aula de massas frescas
03/02 – Aula de filé mignon
04/02 – Jantar aula – Filé mignon
10/02 – Jantar às cegas
11/02 – Jantar às cegas
16/02 – Aula de frango
17/02 – Jantar aula – Frango
Março
03/03 – Jantar às cegas
04/03 – Jantar às cegas
Escola Diego Koppe Endereço: CLN 316 bloco F- Edifício Apollo Center, subsolo - sala 81/85 Asa Norte, Brasília mais informações: @escoladiegokoppe (Instagram) ou (61) 99891-3769 Valores: jantar aula : R$ 250; jantar às cegas - R$ 120; aula - R$ 250. Todos com duração de 3 horas, das 19h às 22h.
A Gastronomia como Patrimônio Cultural
A alimentação humana é muito mais do que necessidade biológica — é linguagem, identidade e memória. O antropólogo Claude Lévi-Strauss, em sua obra seminal O Cru e o Cozido (1964), argumentou que a distinção entre alimentos crus e cozidos é a primeira e mais fundamental distinção cultural da humanidade: cozinhar transforma natureza em cultura, e cada técnica culinária é uma declaração filosófica sobre quem somos. Cada receita que passa de geração em geração carrega não apenas ingredientes e técnicas, mas histórias de migração, adaptação, escassez, abundância e criatividade.
O Brasil ocupa uma posição única na gastronomia mundial por ser o resultado de três grandes encontros culinários: a cozinha indígena (com seus processos de fermentação, uso de raízes, peixe e frutas amazônicas), a cozinha africana (com o dendê, quiabo, amendoim, coco e as técnicas de cozimento lento) e a cozinha europeia (principalmente portuguesa, com seu azeite, bacalhau, vinhos e doçaria conventual). A essa base, somaram-se as contribuições de japoneses, italianos, alemães, sírio-libaneses e tantos outros grupos que chegaram a partir do século XIX, enriquecendo ainda mais o mosaico culinário brasileiro.
Por que Cozinhar em Casa Faz Diferença
Pesquisas consistentes demonstram que pessoas que cozinham em casa regularmente têm dietas nutricionalmente superiores às que dependem de alimentação industrializada ou de restaurantes. Um estudo publicado no Public Health Nutrition com 9.569 participantes mostrou que quem cozinha mais de 5 vezes por semana consome 137 calorias a menos por refeição, mais vegetais e menos gorduras saturadas do que quem raramente cozinha. Além disso, o ato de cozinhar em si tem benefícios documentados para a saúde mental: é uma atividade mindfulness, de foco no presente, que combina criatividade, técnica e resultados tangíveis — uma receita (literalmente) para reduzir estresse e ansiedade.
O desperdício alimentar é outro fator onde cozinhar em casa faz grande diferença: quando temos controle sobre os ingredientes, usamos sobras de forma criativa, reduzindo o descarte. O Brasil desperdiça 46 milhões de toneladas de alimentos por ano — mais do que a produção total de muitos países — e grande parte desse desperdício ocorre no nível doméstico. Receitas que aproveitam cascas, talos e sementes não são apenas economia: são posicionamento ético diante de um sistema alimentar que precisa urgentemente de mudança.
Ingredientes de Qualidade: O Segredo Mais Simples
Chefs de restaurantes com estrelas Michelin frequentemente revelam que seu maior segredo não é a técnica — é a qualidade dos ingredientes. Um tomate cultivado lentamente em solo rico, colhido maduro, tem um perfil de sabor incomparavelmente superior ao tomate verde colhido antes do ponto e amadurecido artificialmente em câmaras frigoríficas. O mesmo vale para azeite extravirgem de primeira prensagem versus óleo refinado, para queijo artesanal versus processado, para frango de granja versus criação convencional. Apoiar produtores locais, mercados de agricultores e feiras orgânicas não é apenas escolha gastronômica — é investimento na biodiversidade alimentar, na saúde do solo e na economia das comunidades rurais.
