Bacalhau oferece vários benefícios para a saúde

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O bacalhau ocupa um lugar especial na mesa brasileira, principalmente na Quaresma, na Páscoa, no Natal e em almoços de família. Preparado em lasanhas, assados, bolinhos, saladas ou receitas com batatas e azeite, ele combina tradição portuguesa, sabor marcante e boa densidade nutricional.

Quando entra no prato com equilíbrio, o bacalhau pode ser uma boa fonte de proteína, vitaminas do complexo B e minerais importantes. O ponto central é entender que “bacalhau” costuma chegar ao consumidor salgado e seco; por isso, o benefício nutricional depende muito da escolha da peça, do dessalgue e do modo de preparo.

Este guia organiza os benefícios do bacalhau para a saúde, explica os cuidados com sódio e ácido úrico, mostra uma referência nutricional por porção e traz formas mais leves de incluir o peixe na rotina sem transformar um alimento interessante em uma refeição pesada.

Lasanha de bacalhau
Lasanha de bacalhau do Chef Dudu Camargo

O que é bacalhau e por que ele ganhou espaço na alimentação

No Brasil, o termo bacalhau é usado para peixes salgados e secos, geralmente de espécies como o cod do Atlântico, o cod do Pacífico, o saithe, o ling e o zarbo. As peças mais nobres costumam ter lascas largas, textura firme e sabor delicado, enquanto cortes mais finos funcionam bem em bolinhos, recheios e preparos desfiados.

A técnica de salga ajudou a conservar o peixe por longos períodos antes da refrigeração moderna. Foi por isso que o bacalhau viajou tanto na história da culinária portuguesa e acabou chegando com força à mesa brasileira, especialmente em datas religiosas e celebrações familiares.

Do ponto de vista nutricional, o bacalhau se destaca por ser um peixe magro e proteico. A ressalva é que a versão salgada concentra sódio; então, ele não deve ser avaliado apenas pelo peixe em si, mas pelo conjunto: dessalgue correto, porção adequada, acompanhamentos e frequência de consumo.

Perfil nutricional do bacalhau

O bacalhau é naturalmente rico em proteínas e pobre em carboidratos. Em preparos sem fritura, ele pode entregar boa saciedade com uma quantidade moderada de calorias, principalmente quando aparece ao lado de legumes, folhas, grãos e azeite em quantidade controlada.

A composição exata varia conforme a espécie, o corte, o teor de umidade e o processo de dessalgue. Por isso, a tabela abaixo deve ser lida como referência prática para o consumidor, não como valor fechado para todas as marcas e receitas.

Em geral, o maior ponto de atenção é o sódio. Mesmo depois de dessalgado, o bacalhau pode continuar mais salgado que peixes frescos; quem tem hipertensão, doença renal ou orientação médica para reduzir sal precisa redobrar o cuidado.

ComponenteReferência por 100 gO que isso significa no prato
Energiacerca de 80 a 110 kcalValor moderado quando preparado sem fritura e sem molhos pesados.
Proteínascerca de 18 a 23 gAjuda na saciedade e na manutenção de músculos.
Gorduras totaisgeralmente baixaÉ um peixe magro; o azeite e os acompanhamentos mudam o total de gordura da receita.
Carboidratos0 g no peixeBatata, arroz, pão e massas entram na conta quando fazem parte da receita.
Vitaminas e mineraisB12, B6, fósforo, selênio e outros micronutrientesContribuem para metabolismo, sistema nervoso e funções celulares.
Sódiomuito variávelDepende da salga, do tempo de dessalgue e das trocas de água.

Nota: valores aproximados com base em referências de composição de peixe tipo cod/bacalhau e em variações comuns do produto dessalgado. Para dietas terapêuticas, use o rótulo da marca comprada e a orientação de um nutricionista.

Benefícios do bacalhau para a saúde

Os benefícios do bacalhau aparecem quando ele substitui opções mais gordurosas e ultraprocessadas dentro de uma alimentação variada. Ele não é um alimento milagroso, mas pode ser uma boa escolha proteica para quem busca refeições mais equilibradas.

Também é importante separar o peixe da receita. Um lombo assado com legumes tem impacto nutricional diferente de uma preparação muito salgada, frita ou coberta por molhos ricos em gordura. O alimento base é interessante; o preparo decide boa parte do resultado.

Veja os principais pontos em que o bacalhau pode contribuir para uma rotina alimentar mais nutritiva, sempre considerando porções adequadas e dessalgue bem feito.

Proteínas e saciedade

O bacalhau fornece proteínas de alto valor biológico, ou seja, proteínas com aminoácidos importantes para o corpo. Elas participam da manutenção de músculos, tecidos, enzimas e várias funções metabólicas.

Uma refeição com boa quantidade de proteína tende a gerar mais saciedade do que um prato baseado apenas em carboidratos refinados. Isso pode ajudar a organizar melhor o almoço ou o jantar, principalmente quando o peixe vem acompanhado de vegetais e fontes de fibras.

Para quem treina, envelhece ou busca preservar massa muscular, fontes proteicas magras são úteis dentro do planejamento alimentar. O bacalhau pode entrar nessa lógica, desde que o excesso de sal não atrapalhe o objetivo de uma dieta mais equilibrada.

Ômega-3 e saúde cardiovascular

Peixes são lembrados por fornecerem gorduras do tipo ômega-3, especialmente EPA e DHA. O bacalhau não é tão gorduroso quanto salmão, sardinha ou cavalinha, mas ainda pode contribuir para a variedade de peixes na dieta.

Associações de saúde cardiovascular costumam recomendar o consumo regular de peixes, especialmente opções não fritas. Na prática, isso significa alternar bacalhau com sardinha, atum, salmão, pescada e outros peixes, em vez de depender de um único alimento.

O benefício cardiovascular também depende do contexto do prato. Bacalhau assado com azeite, cebola, pimentão e batatas em porção moderada tende a ser melhor escolha que bolinhos fritos consumidos com frequência.

Vitaminas do complexo B e sistema nervoso

O bacalhau contém vitaminas do complexo B, com destaque para B12 e B6 em muitas referências nutricionais de peixes. Esses nutrientes participam do metabolismo energético, da formação de células sanguíneas e do funcionamento do sistema nervoso.

A vitamina B12 merece atenção especial porque aparece principalmente em alimentos de origem animal. Pessoas com restrições alimentares, baixa ingestão de proteína animal ou problemas de absorção devem avaliar seus níveis com acompanhamento profissional.

Isso não significa que bacalhau trate fadiga, tristeza ou alterações neurológicas. Sintomas persistentes precisam de avaliação médica; o papel do alimento é contribuir com nutrientes dentro de um padrão alimentar adequado.

Minerais para ossos, músculos e metabolismo

Além das vitaminas, o bacalhau pode oferecer minerais como fósforo, selênio, magnésio e cálcio em quantidades variáveis. Esses nutrientes participam de funções ligadas a ossos, músculos, defesa antioxidante e metabolismo celular.

O fósforo, por exemplo, é importante para ossos e dentes, enquanto o selênio atua em processos antioxidantes do organismo. Já o magnésio participa de contrações musculares, funcionamento nervoso e equilíbrio metabólico.

Mesmo assim, o bacalhau não deve ser visto como única fonte desses nutrientes. O ideal é combiná-lo com verduras, legumes, leguminosas, frutas, oleaginosas e outros alimentos que ampliem a variedade nutricional da semana.

Baixo teor de gordura quando preparado sem fritura

Por ser um peixe magro, o bacalhau permite preparos saborosos sem depender de muita gordura. Assar, cozinhar, grelhar rapidamente ou usar em saladas mornas são formas de preservar o sabor sem elevar demais as calorias do prato.

O azeite combina muito bem com bacalhau e pode fazer parte de uma refeição equilibrada. A diferença está na quantidade: um fio de azeite para finalizar é diferente de uma receita encharcada, especialmente quando há batatas, azeitonas e outros ingredientes mais calóricos.

Se a ideia é uma versão mais leve, priorize forno, panela ou grelha, inclua muitos vegetais e reserve frituras para ocasiões pontuais. Assim, o bacalhau mantém seu papel de proteína principal sem transformar a refeição em excesso.

Cuidados com sódio, ácido úrico e restrições

O principal cuidado com bacalhau é o sódio. A salga é parte da identidade do produto, mas o excesso de sal pode ser um problema para pessoas com hipertensão, retenção de líquidos, doença renal ou orientação médica específica.

Outro ponto é o teor de purinas, compostos presentes em vários alimentos de origem animal. Pessoas com gota, ácido úrico elevado ou histórico de cálculos renais devem conversar com médico ou nutricionista antes de aumentar o consumo de peixes e frutos do mar.

Gestantes, crianças e pessoas imunossuprimidas também devem observar conservação, procedência e cozimento adequado. O bacalhau precisa ser comprado em local confiável, armazenado corretamente e preparado com higiene para reduzir risco de contaminação.

Quadro de atenção: se você precisa controlar sal, pressão arterial, função renal ou ácido úrico, trate o bacalhau como alimento que exige planejamento. O problema geralmente não é uma porção eventual bem dessalgada, mas o consumo frequente, mal dessalgado e acompanhado de outros ingredientes muito salgados.

Como escolher e dessalgar bacalhau do jeito certo

Na compra, observe cor, cheiro, textura e armazenamento. O bacalhau deve ter aparência seca, cheiro característico, sem odor de deterioração, manchas suspeitas ou excesso de umidade pegajosa. Sempre prefira locais com boa rotatividade e conservação adequada.

O dessalgue precisa acontecer na geladeira, não em temperatura ambiente. A água fria reduz o sal aos poucos e ajuda a manter segurança alimentar; deixar o peixe fora da refrigeração aumenta risco de deterioração.

O tempo varia conforme a espessura do corte. Lascas e pedaços pequenos dessalgam mais rápido; lombos altos podem precisar de mais tempo e trocas de água. Provar uma lasca cozida antes de finalizar a receita é uma forma simples de evitar surpresa no prato.

  1. Lave rapidamente a peça para retirar o sal superficial.
  2. Coloque o bacalhau em recipiente coberto com água fria.
  3. Mantenha sempre na geladeira durante todo o dessalgue.
  4. Troque a água a cada 6 a 8 horas, ou com mais frequência em cortes muito salgados.
  5. Depois de dessalgado, cozinhe uma pequena lasca e ajuste a receita antes de adicionar mais sal.

Melhores formas de preparar bacalhau sem perder equilíbrio

O preparo mais equilibrado costuma ser aquele que valoriza o peixe e usa ingredientes simples. Forno, panela, saladas mornas e ensopados leves permitem trabalhar sabor com cebola, alho, ervas, pimentão, tomate, grão-de-bico, batata em porção moderada e azeite.

Receitas tradicionais podem continuar no cardápio, mas vale ajustar a frequência. Bolinhos fritos, natas, queijos, grandes quantidades de azeite e batata deixam o prato mais pesado; não precisam ser proibidos, apenas tratados como preparos ocasionais.

Se o objetivo é saúde, monte o prato pensando em proporção: bacalhau como proteína, muitos vegetais, uma fonte de carboidrato e gordura em quantidade medida. Essa combinação preserva o prazer da receita e reduz exageros comuns em datas comemorativas.

PreparoQuando faz sentidoComo deixar mais leve
AssadoAlmoço de família e datas especiaisUse legumes, ervas e azeite medido.
Salada de bacalhauDias quentes ou entradaCombine com grão-de-bico, folhas, tomate e cebola.
EnsopadoRefeição única e confortávelInclua caldo caseiro, legumes e pouco sal adicional.
BolinhosAperitivo eventualPrefira porções pequenas e, se possível, versões assadas ou na air fryer.
Lasanha ou gratinadoReceita de ocasiãoEquilibre com salada e reduza queijos, creme e sal.
Prato tradicional de bacalhau
Tradicional bacalhau do Dom Francisco

Quanto comer e com que frequência

Para adultos saudáveis, uma porção comum de peixe cozido costuma ficar próxima de 100 a 120 g. Essa quantidade pode variar conforme objetivo nutricional, gasto energético, presença de outros alimentos no prato e recomendação individual.

Guias internacionais de saúde costumam sugerir peixe algumas vezes por semana, priorizando variedade e preparos não fritos. No caso do bacalhau salgado, a frequência deve considerar o teor de sódio; talvez faça mais sentido alterná-lo com peixes frescos ao longo do mês.

Em datas comemorativas, o mais importante é evitar a soma de excessos: bacalhau muito salgado, acompanhamentos salgados, embutidos, sobremesas pesadas e pouca água. Um prato bem montado permite aproveitar a tradição sem transformar a refeição em sobrecarga.

Resumo: bacalhau faz bem?

Sim, o bacalhau pode fazer parte de uma alimentação saudável. Ele oferece proteínas, vitaminas e minerais, tem baixo teor de gordura quando preparado sem fritura e combina bem com vegetais, leguminosas e azeite em quantidade equilibrada.

O cuidado está no sal. Dessalgar corretamente, evitar acrescentar sal na receita antes de provar e escolher acompanhamentos menos salgados são atitudes decisivas para aproveitar melhor o alimento.

Para quem tem restrições de saúde, o ideal é personalizar a porção e a frequência com orientação profissional. Para quem não tem restrição, o bacalhau pode sair do calendário apenas festivo e aparecer mais vezes em preparos simples, bem dessalgados e equilibrados.

Fontes consultadas: USDA FoodData Central, FDA/EPA Advice about Eating Fish e American Heart Association.

Perguntas frequentes

O que é preciso para dessalgar o bacalhau?

O dessalgue deve ser feito em água fria dentro da geladeira por um período de 24 a 48 horas (dependendo da espessura do corte), trocando a água a cada 6 ou 8 horas.

Quem tem pressão alta pode comer bacalhau?

Sim, mas com moderação e desde que o peixe passe por um processo rigoroso de dessalga. O bacalhau seco concentra muito sódio, o que exige atenção de hipertensos.

Bacalhau é um peixe gordo ou magro?

O bacalhau é considerado um peixe magro e de baixo teor de gordura. O valor calórico e de gorduras da refeição costuma vir dos acompanhamentos, como o azeite e as batatas.

Quem tem ácido úrico alto pode comer bacalhau?

Pessoas com gota ou ácido úrico elevado devem consumir bacalhau com cautela e sob orientação profissional, pois peixes e frutos do mar contêm purinas, que podem elevar os níveis de ácido úrico no organismo.

Quais são os principais tipos de bacalhau vendidos no Brasil?

Os tipos mais comuns são o Porto (Gadus morhua), o Cod do Pacífico (Gadus macrocephalus), o Saithe, o Ling e o Zarbo, cada um com indicações culinárias específicas.

Criado em: 12/04/2019

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Atualizado em: 01/07/2026

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