O projeto Mucho Más que Guapas, da rede de empanadas La Guapa, chegou para transformar definitivamente a relação entre gastronomia, arte urbana e comunidade no Brasil. Com 10 artistas brasileiras, 13 lojas contempladas e uma filosofia que nasce diretamente do DNA artesanal da marca, a iniciativa eleva o conceito de fast casual a um patamar que poucos negócios do setor ousam explorar: o de plataforma cultural integrada ao tecido urbano dos bairros onde a rede opera.
📋 Índice:
- Arte nas ruas como extensão da filosofia da marca
- A filosofia por trás do projeto
- As 10 artistas e as 13 lojas do projeto
- Bianca Foratori e as memórias afetivas da Augusta
- Fixxa e o convite ao autoconhecimento em Santos
- Uma década de La Guapa: de 1 loja a mais de 30 unidades
- A força do processo artesanal em escala
- Gastronomia e arte urbana: um movimento em expansão
- O que o público diz
- Nossa opinião
Arte nas ruas como extensão da filosofia da marca
Fundada em 2014 por Benny Goldenberg e pela chef Paola Carosella, a La Guapa sempre carregou um DNA artesanal inconfundível. Essa essência está sintetizada na frase estampada nas paredes de todas as unidades: “Se hacen con las manos, se comen con las manos” — feitas com as mãos, comidas com as mãos. A sentença não é apenas um slogan; é um manifesto. E é exatamente nesse manifesto que o projeto Mucho Más que Guapas encontrou sua razão de ser e sua forma mais coerente de existir.
Quando a equipe da La Guapa decidiu celebrar o décimo aniversário da marca com uma ação cultural, a escolha das fachadas como suporte artístico não foi casual. A fachada é o primeiro ponto de contato entre uma loja e a rua — é a pele do estabelecimento, o rosto que ele apresenta ao bairro. Ao transformar esses painéis em obras de arte autorais, a marca optou por um gesto de generosidade urbana: devolver à comunidade algo que vai muito além de um produto saboroso. É uma presença que não desaparece quando a porta fecha.
A ação foi idealizada pela própria La Guapa e executada pela agência AND, ALL. Cada artista recebeu liberdade criativa ampla para capturar a essência do bairro onde a unidade está instalada. O resultado é um mosaico visual rico e heterogêneo: memórias afetivas, referências da cultura popular, paisagens urbanas e narrativas femininas se misturam em estilos e técnicas distintos, criando obras que pertencem genuinamente a cada território. Não há padronização estética — e essa diversidade é justamente o ponto central de toda a proposta.
A filosofia por trás do projeto
Para compreender por que o Mucho Más que Guapas faz tanto sentido para a La Guapa, é preciso entender o contexto mais amplo do setor de alimentação no Brasil contemporâneo. O segmento fast casual vive uma transformação profunda e consistente. Consumidores cada vez mais exigentes buscam não apenas eficiência e sabor, mas também propósito e identidade nos lugares onde escolhem comer. A La Guapa respondeu a essa demanda de maneira coerente com sua trajetória: sem jamais abrir mão do processo manual que a define desde o primeiro dia.
Desde 2014, a rede nunca abdicou da produção artesanal das empanadas. Em plena era da industrialização alimentar, manter empanadeiras e empanadeiros moldando cada peça à mão é uma declaração ao mesmo tempo política e gastronômica. O Mucho Más que Guapas amplia essa declaração para as paredes externas das lojas — arte feita com as mãos para celebrar uma comida feita com as mãos. A simetria é quase poética, e o fato de ser absolutamente genuína é o que a torna ainda mais potente.
A escolha de um coletivo exclusivamente feminino também não é ornamental. A La Guapa tem, historicamente, uma relação forte com a figura feminina — desde a própria Paola Carosella, chef e cofundadora, até o nome da rede, que carrega uma referência afetiva à mulher. O projeto Mucho Más que Guapas aprofunda esse compromisso ao contratar 10 artistas mulheres e dar a cada uma delas não apenas um espaço para criar, mas visibilidade em escala nacional e caráter permanente nas cidades onde a marca atua.
As 10 artistas e as 13 lojas do projeto
O coletivo reunido para o projeto reúne nomes de diferentes regiões e trajetórias artísticas, com representação em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília. A distribuição das obras pelas 13 unidades contempladas ficou organizada da seguinte forma:
- Bianca Foratori — unidade Augusta, São Paulo (capital)
- Belca — unidades Centro e Guarulhos, São Paulo (capital) e Grande SP
- Chris Matos — unidades Itaim e Tatuapé, São Paulo (capital)
- Rosana Grimaldi — unidades Perdizes e Santo André, São Paulo (capital) e Grande SP
- Érika Brasil — unidade Pinheiros, São Paulo (capital)
- Sara Rezende — unidade Campinas, interior de SP
- Fixxa — unidade Santos, litoral de SP
- Monalysa — unidade Brasília, Distrito Federal
- Gislaine Martins — unidade Belo Horizonte, Minas Gerais
- Luiza Tacci — unidade Curitiba, Paraná
A amplitude geográfica do projeto é, por si só, uma declaração de intenção. A La Guapa não concentrou a ação somente em São Paulo — embora a capital paulista, com seis unidades contempladas, seja a praça com maior presença da rede. A inclusão de Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, e de cidades do interior e do litoral paulista, demonstra um olhar atento para a diversidade cultural de cada território. Campinas não é Santos, que não é Curitiba, que não é Brasília — e as obras foram desenhadas para refletir essas diferenças com autenticidade e pertencimento local.
Bianca Foratori e as memórias afetivas da Augusta
A Rua Augusta é um dos corredores culturais mais densos e vibrantes de São Paulo. Palco de transformações urbanas constantes ao longo das últimas décadas, ela concentra bares, restaurantes, lojas independentes e uma vida intensa que atrai públicos muito distintos ao longo do dia. É nesse ambiente de alta intensidade simbólica que a artista visual Bianca Foratori foi desafiada a criar uma obra para a fachada da unidade local.
A solução de Bianca foi mergulhar nas camadas de memória afetiva que constituem a identidade do bairro, escolhendo colocar a mulher e a cultura popular brasileira no centro da narrativa visual. O painel resultante dialoga com a história do local sem ignorar o presente — uma obra que pertence genuinamente àquele espaço e à comunidade que o habita e o transforma cotidianamente.
Sobre sua participação no projeto, a artista foi precisa e direta: “Participar de um projeto que valoriza as mulheres é muito satisfatório porque vai de encontro aos meus ideais e a tudo que eu prego no meu trabalho.” A fala revela que o convite da La Guapa não foi recebido apenas como uma comissão comercial, mas como um alinhamento de valores — o que, invariavelmente, tende a produzir obras mais genuínas e com maior ressonância com o público.
Fixxa e o convite ao autoconhecimento em Santos
A cidade portuária de Santos, no litoral paulista, carrega uma identidade própria e inconfundível: a relação íntima com o mar, a diversidade cultural construída ao longo de séculos pelo porto, a memória de uma cidade que sempre esteve conectada ao mundo. Foi nesse contexto que a artista conhecida como Fixxa foi convocada a criar — e ela soube traduzir tudo isso em uma mensagem de empoderamento que transcende o local e encontra eco em qualquer lugar.
Em suas próprias palavras: “Quero transmitir com a minha arte um convite para que as pessoas se olhem, que se alimentem de coisas boas e que seja possível realizar sonhos — as mulheres principalmente, que elas busquem essa liberdade de poder contar suas próprias histórias.”
A declaração de Fixxa sintetiza com precisão o espírito de todo o projeto. O verbo “alimentar” aparece em sentido duplo e absolutamente não acidental: alimentar-se de coisas boas é tanto uma instrução gastronômica quanto uma orientação de vida. Numa rede que tem na comida artesanal seu produto central, essa ambivalência é especialmente poderosa e coerente com a proposta maior da marca.
Uma década de La Guapa: de 1 loja a mais de 30 unidades
Para entender o peso simbólico do Mucho Más que Guapas, é fundamental contextualizar a trajetória da La Guapa ao longo de seus dez anos de existência. A primeira loja abriu as portas em 2014, fundada por Benny Goldenberg e pela chef Paola Carosella — uma dupla que combinava experiência empresarial com trajetória gastronômica sólida e reconhecida tanto no Brasil quanto no exterior.
Paola Carosella, argentina radicada no Brasil, trouxe para o projeto não apenas sua expertise culinária, mas uma ligação profunda com a tradição da empanada como objeto cultural de alto valor afetivo. A empanada não é apenas um salgado; é um patrimônio gastronômico que atravessa gerações e fronteiras, carregando histórias de migração, família e identidade coletiva. Ao trazer essa tradição para o formato fast casual brasileiro, a La Guapa criou um produto com profundidade afetiva rara no segmento e difícil de replicar.
Em dez anos, a rede expandiu para mais de 30 unidades distribuídas por São Paulo, Distrito Federal, Curitiba e Rio de Janeiro. Além das lojas físicas, a La Guapa opera uma cozinha central de delivery e uma central de produção própria — estrutura que garante consistência de qualidade sem abrir mão do processo artesanal que é a assinatura da marca e seu diferencial mais precioso.
A força do processo artesanal em escala
Um dos aspectos mais notáveis da La Guapa é conseguir manter a produção manual mesmo operando em escala significativa. Todas as empanadas seguem sendo moldadas à mão por empanadeiras e empanadeiros, e a rede registra uma média de cinco mil unidades produzidas por dia. Isso significa que, diariamente, centenas de mãos trabalham em sincronia para garantir que cada empanada chegue ao cliente com o mesmo cuidado artesanal cultivado desde 2014.
Essa escala de produção manual não é um detalhe operacional — é um diferencial filosófico que poucos negócios do setor têm a consistência de manter ao longo do tempo. Em um mercado onde a automação é frequentemente apresentada como sinônimo de eficiência e até de qualidade, a La Guapa aposta na presença humana como o fator de distinção mais genuíno e difícil de copiar. Cada empanada moldada à mão é, de certa forma, uma expressão de artesanato com escala gastronômica. O Mucho Más que Guapas é, então, a extensão visual dessa mesma lógica: arte feita com as mãos nas paredes de fora, comida feita com as mãos nas cozinhas de dentro.
Raquel Hamparian, Head de Marketing da La Guapa, traduziu esse sentimento com precisão: “A La Guapa é sempre muito bem recebida em todas as praças em que chega, e encontramos, com essa ideia linda, uma forma de demonstrar nossa gratidão. Esperamos que nossos vizinhos e consumidores gostem dessa ação para que estejamos cada vez mais próximos.”
A fala de Raquel é reveladora em um aspecto específico: o uso do termo “vizinhos” ao lado de “consumidores”. A La Guapa não trata os moradores dos bairros onde está presente como mero público-alvo — trata-os como parte de uma comunidade da qual a própria marca também faz parte e à qual deve gratidão. Essa distinção, aparentemente sutil, define uma postura de marca radicalmente diferente da comunicação transacional típica do setor de alimentação.
Gastronomia e arte urbana: um movimento em expansão
O projeto da La Guapa se insere em uma tendência crescente no setor de alimentação: marcas que enxergam o espaço físico não apenas como ponto de venda, mas como plataforma cultural viva e integrada ao bairro. Ao convidar artistas locais — e não agências de design genéricas produzindo visuais padronizados e intercambiáveis —, a rede apostou na autenticidade como diferencial competitivo real. O resultado vai além da estética: cria um senso de pertencimento que vai muito além do cardápio.
- Autenticidade hiperlocal: cada fachada é única e irrepetível, refletindo o bairro específico onde a loja opera e a visão de mundo da artista que a criou.
- Recorte feminino: o coletivo exclusivamente formado por mulheres reforça o posicionamento da marca em torno da valorização e da visibilidade feminina em espaços públicos e culturais.
- Fusão cultural: a herança da cultura latina — presente nas empanadas e na identidade visual da La Guapa — ganha camadas novas com as referências brasileiras de cada artista, criando um diálogo entre tradição e contemporaneidade.
- Vínculo comunitário: a ação fortalece o vínculo hiperlocal, tornando cada unidade um ponto de referência cultural no bairro, e não apenas um estabelecimento comercial entre tantos outros.
Do ponto de vista da comunicação de marca, o Mucho Más que Guapas é um exemplo raro de coerência entre discurso e prática. A La Guapa não apenas afirma valorizar a arte e as mulheres — ela investe recursos reais nessa valorização, comissiona obras, abre fachadas e dá visibilidade permanente a artistas que muitas vezes operam em circuitos de alcance restrito. Isso é qualitativamente diferente de patrocinar um evento pontual ou estampar uma causa em embalagem: é uma presença física, duradoura e visível nas cidades.
O que o público diz
A recepção nas redes sociais e nas calçadas em frente às lojas tem sido entusiasmada. Frequentadores das unidades de Pinheiros e Perdizes relatam que as fachadas se tornaram pontos de parada espontânea — pessoas fotografam as obras antes mesmo de entrar para pedir. O comportamento é revelador: a arte está funcionando como atrativo independente do produto, um convite que antecede e enriquece a experiência gastronômica em si.
Quem já conhecia a La Guapa destaca a coerência entre a estética das pinturas e o ambiente interno das lojas — há uma continuidade entre o mundo de fora e o de dentro que fortalece a experiência como um todo e reafirma a identidade da marca em cada detalhe. Quem chega pela primeira vez comenta que a fachada funciona como um convite irresistível, despertando curiosidade suficiente para motivar a entrada e a descoberta do cardápio.
A percepção geral é de que a marca soube transformar um aniversário corporativo em algo genuinamente comunitário. Aniversários de marca costumam ser celebrados com campanhas de desconto, lançamentos de produtos ou eventos fechados para formadores de opinião. A La Guapa escolheu um caminho diferente: presenteou os bairros onde opera com arte permanente, visível a qualquer pessoa que passe pela calçada, independentemente de ser cliente ou não. É um gesto que não exige nada em troca — e talvez por isso ressoe com tamanha força.
Nossa opinião
Do ponto de vista do 3 Talheres, o projeto Mucho Más que Guapas merece ser destacado como um dos movimentos mais inteligentes e coerentes já realizados por uma rede de alimentação no Brasil. A La Guapa não apenas celebrou uma década de existência — ela usou esse marco para reafirmar, de maneira visível e permanente, os valores que orientaram cada um desses dez anos de operação e crescimento.
O que mais impressiona na iniciativa não é apenas a qualidade das obras ou a relevância das artistas escolhidas, mas a lógica que une tudo com precisão quase narrativa: empanadas moldadas à mão ganham fachadas pintadas à mão. O artesanato se expande do interior para o exterior das lojas, da cozinha para a rua. Essa consistência é rara no mercado e merece reconhecimento genuíno — sobretudo porque ela não é comunicada apenas em texto, mas materializada em tintas que qualquer transeunte pode ver.
A curadoria exclusivamente feminina do coletivo é outro ponto que distingue o projeto de iniciativas similares. Num setor em que mulheres ainda ocupam posições de destaque em proporção aquém do que mereceriam, a La Guapa deu um passo concreto em direção a uma representação mais justa: dez artistas, 13 painéis permanentes, visibilidade em múltiplas cidades e regiões do país. A execução pela agência AND, ALL garantiu organização e coesão ao projeto sem homogeneizar as obras — cada artista manteve sua voz própria, o que é sinal de que a curadoria foi conduzida com real respeito à autonomia criativa.
O único desejo que um olhar crítico pode apontar é que iniciativas como essa se tornem recorrentes — e não apenas comemorativas. O Mucho Más que Guapas demonstrou que é possível integrar arte, comunidade e gastronomia de maneira orgânica e poderosa. Que seja o primeiro capítulo de uma história mais longa. Para quem ainda não conhece a La Guapa, qualquer uma das 13 unidades contempladas pelo projeto oferece agora uma razão a mais para visitar: ver de perto a obra na fachada e então descobrir que o que está dentro é igualmente feito com cuidado, presença e mãos habilidosas.
Perguntas frequentes
O que é o projeto Mucho Más que Guapas da La Guapa?
É uma iniciativa da rede de empanadas La Guapa que reuniu 10 artistas brasileiras para criar pinturas murais autorais nas fachadas de 13 lojas espalhadas por São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. O projeto celebra o décimo aniversário da marca e valoriza a arte feminina e a cultura dos bairros onde a rede está presente.
Quais cidades têm lojas da La Guapa com as fachadas artísticas do projeto?
As fachadas do projeto estão em unidades na capital de São Paulo (Augusta, Centro, Itaim, Perdizes, Pinheiros e Tatuapé), no interior paulista (Campinas), na Grande São Paulo (Santo André e Guarulhos), no litoral (Santos), além de Belo Horizonte, Brasília e Curitiba.
Quem fundou a La Guapa?
A primeira loja da La Guapa foi inaugurada em 2014 pelos sócios Benny Goldenberg e Paola Carosella. Hoje a rede conta com mais de 30 unidades distribuídas por São Paulo, Distrito Federal, Curitiba e Rio de Janeiro.
Quais artistas participaram do projeto Mucho Más que Guapas?
O coletivo é formado por Bianca Foratori, Belca, Chris Matos, Rosana Grimaldi, Érika Brasil, Sara Rezende, Fixxa, Monalysa, Gislaine Martins e Luiza Tacci — cada uma responsável por uma ou mais unidades da rede, em diferentes cidades do Brasil.
Como as empanadas da La Guapa são produzidas?
Todas as empanadas são feitas à mão por empanadeiras e empanadeiros, seguindo um processo artesanal que a marca sintetiza na frase “Se hacen con las manos, se comen con las manos”. A rede produz em média cinco mil unidades por dia, mantendo o processo manual mesmo com a expansão para mais de 30 unidades.
