Queijo do Marajó Fazenda São Victor e o Selo Arte

Roda de queijo do Marajó artesanal produzida pela Queijaria Fazenda São Victor, no Pará

O que é o Selo Arte e por que ele importa

Regulamentado pelo Decreto que implementa a Lei 13.680/18, o Selo Arte permite que produtos alimentícios artesanais de origem animal — queijos, mel, embutidos e derivados — sejam vendidos em todo o território nacional sem a exigência do selo de inspeção federal (SIF). A medida foi assinada durante cerimônia comemorativa dos 200 dias do governo federal e representa uma virada histórica para pequenos produtores rurais.

Para o consumidor, a certificação funciona como garantia de que o produto respeita métodos tradicionais de fabricação e boas práticas sanitárias. Para o produtor, significa acesso a novos mercados e maior valorização do trabalho artesanal. “Com o Selo Arte estaremos bem posicionados por conta de mais uma garantia de qualidade do produto, e o transitar com mais confiança e credibilidade”, resume Marcus Pinheiro, proprietário da Fazenda São Victor.

Como funciona a fiscalização

A concessão e o monitoramento do Selo Arte ficam sob responsabilidade dos estados e do Distrito Federal. Os produtos aprovados recebem identificação com a inscrição “Arte” e passam a ser fiscalizados pelos órgãos de saúde pública estaduais. A avaliação do cumprimento das boas práticas agropecuárias também é atribuição das secretarias estaduais competentes.

Exigências para a certificação

O regulamento técnico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabelece requisitos higiênico-sanitários mínimos para as propriedades fornecedoras de leite destinado à produção artesanal. Entre as principais obrigações dos produtores estão:

  • Controle sanitário do rebanho, com vacinação obrigatória contra febre aftosa (exceto em estados livres de vacinação);
  • Certificação do rebanho como livre de Brucelose e Tuberculose, conforme programação oficial;
  • Controle de mastite e de parasitas;
  • Adequação das instalações e processos produtivos às boas práticas agropecuárias;
  • Registro do estabelecimento artesanal junto ao órgão estadual competente.

As visitas técnicas realizadas no Pará pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), pela Emater e pelo MAPA tiveram exatamente esse objetivo: aplicar o checklist do programa e orientar os produtores sobre os procedimentos de registro. Palestras sobre Identificação Geográfica (IG) também integraram a programação.

A Queijaria Fazenda São Victor: trajetória e premiações

Fundada em 2006 a partir do Projeto Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Queijo do Marajó, a Fazenda São Victor detém o selo 013 no segmento de produto artesanal no Pará. Especializada no Queijo Marajó Tipo Creme — elaborado com leite de búfala —, a queijaria construiu ao longo de quase duas décadas um currículo de prêmios que a coloca entre as referências nacionais e internacionais do setor.

PremiaçãoEdiçãoResultado
XII Encontro Nacional de Criadores de Búfalos / II Marajó Búfalos1º lugar
Prêmio Queijo do BrasilIII EdiçãoBronze
Prêmio Queijo do BrasilIV EdiçãoSuper Ouro
Prêmio Queijo do BrasilV EdiçãoOuro
Mondial du Fromage et des Produits Laitiers (França)IV EdiçãoPrata

A sócia proprietária da queijaria celebra o avanço rumo ao Selo Arte com perspectiva econômica clara: “A concessão do Selo Arte para nós produtores de queijos artesanais significa o avanço e impulsionamento da economia, gerando mais renda para o setor.”

O queijo do Marajó no cenário nacional

O movimento em torno do Selo Arte no Pará não é isolado. Em janeiro do mesmo ano, a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), sob a presidência de Geraldo Borges, levou ao conhecimento da então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, uma seleção de queijos artesanais candidatos à certificação. A ministra destacou que a medida “vai dar agilidade, facilidade para a comercialização dos produtos, principalmente dos pequenos produtores rurais.”

O que diz o público

Quem já teve a oportunidade de provar o Queijo Marajó Tipo Creme da Fazenda São Victor costuma destacar a textura aveludada e o sabor delicado, levemente adocicado, característico do leite de búfala. A cremosidade incomum — diferente de qualquer queijo de leite bovino — é o ponto que mais surpreende quem experimenta pela primeira vez. A aceitação entre apreciadores de queijos artesanais tem sido consistente, com destaque especial para o desempenho do produto em contextos de degustação comparativa, onde frequentemente supera concorrentes de regiões com tradição queijeira mais consolidada no imaginário popular.

Entre entusiastas da gastronomia paraense, o queijo da Fazenda São Victor é citado como um dos melhores argumentos para colocar o Marajó no roteiro gastronômico do país — ao lado do açaí e do pato no tucupi.

Conclusão

A indicação da Queijaria Fazenda São Victor para o Selo Arte é um marco tanto para a produtora quanto para o queijo do Marajó como categoria. A certificação abre portas para um mercado nacional ainda pouco familiarizado com esse queijo de búfala, ao mesmo tempo em que reforça a importância de políticas públicas que valorizem a produção artesanal com rigor sanitário e identidade cultural. Se você conhece ou já provou o Queijo Marajó Tipo Creme da Fazenda São Victor, deixe sua opinião nos comentários — sua experiência enriquece o debate sobre os queijos artesanais brasileiros.

Perguntas frequentes

O que é o Selo Arte para queijos artesanais?

O Selo Arte é uma certificação regulamentada pela Lei 13.680/18 que autoriza a venda interestadual de produtos alimentícios artesanais de origem animal — como queijos, mel e embutidos — em todo o território nacional, sem a necessidade do selo de inspeção federal. A regulamentação garante ao consumidor que o produto respeita métodos tradicionais de produção e boas práticas sanitárias.

O que é o Queijo do Marajó e onde é produzido?

O Queijo do Marajó é um queijo artesanal produzido na Ilha do Marajó, no Pará, a partir do leite de búfala. Tem textura cremosa e sabor levemente adocicado, sendo um dos produtos mais representativos da gastronomia paraense. A Queijaria Fazenda São Victor é uma das produtoras mais premiadas desse queijo, com reconhecimento nacional e internacional.

Quais prêmios a Queijaria Fazenda São Victor já conquistou?

A Fazenda São Victor acumula conquistas expressivas: primeiro lugar no XII Encontro Nacional de Criadores de Búfalos, medalhas Bronze (III Edição), Super Ouro (IV Edição) e Ouro (V Edição) no Prêmio Queijo do Brasil, além de Prata na IV Edição do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, realizado na França.

Quais são os requisitos para obter o Selo Arte?

Os produtores precisam cumprir um regulamento técnico de boas práticas agropecuárias definido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Entre as exigências estão o controle sanitário do rebanho — incluindo vacinação contra febre aftosa e certificação de ausência de Brucelose e Tuberculose —, controle de mastite e parasitas, além de adequação das instalações e processos produtivos à legislação vigente.

O Selo Arte permite a venda do queijo artesanal em outros estados?

Sim. Um dos principais avanços trazidos pelo Selo Arte é justamente a possibilidade de comercialização em todo o território nacional. Antes da regulamentação, os produtores artesanais enfrentavam barreiras legais para vender seus produtos fora do estado de origem. Com a certificação, o queijo artesanal pode circular e ser vendido livremente em qualquer unidade da federação.

Criado em: 12/02/2020

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Atualizado em: 23/06/2026

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