Brócolis ou chocolate? O poder do exemplo na alimentação das crianças

Brócolis ou chocolate? O poder do exemplo na alimentação de crianças

Recentemente o vídeo de uma menininha se recusando a comer Nutella e vários tipos de chocolates viralizou na internet. Essa é a segunda vez que o mesmo vídeo volta a ser o centro de muita conversa no Brasil. O vídeo da pequena já havia chamado a atenção ao final de 2018, quando sua preferencia por brócolis deixou muitos pais perplexos.

O que causa estranhamento na maioria das pessoas é a ideia comum de que uma criança tenha que adorar chocolate e guloseimas cheias de açúcar. Acreditar que uma criança adore coisas hiper-açucaradas é uma prática frequentemente repetida e até incentivada pelos pais e familiares.

Muitas vezes a criança até não tem essa preferência mas, quando recusa um doce, encontra um forte estranhamento nos membros da família e, por isso, acaba aceitando aquele alimento como parte de sua dieta. Vemos também pais que tornam o doce como um prêmio ou uma compensação para determinados comportamentos. Quem nunca escutou a frase “se não comer toda comida não ganha sobremesa”?

 

No Brasil existem diversos fatores que contribuem para uma alimentação a base de carboidratos e comidas industrializadas e açucaradas. Uma dieta balanceada, que inclua frutas e alimentos frescos, é mais cara e exige maior cuidado do que um cardápio pensado na praticidade e na economia. Um suco de caixinha, por exemplo, dura meses na dispensa – o que não ocorre com um suco de fruta fresca.

A alimentação de crianças é um aprendizado profundamente afetivo e vinculado com a relação familiar. Comer é uma herança cultural compartilhada e construída ao longo de muitos anos. A criança aprende a comer com os pais, avôs e irmãos e, assim, desenvolve um laço sentimental forte e duradouro com o ato de comer.

A variedade de biscoitos, salgadinhos e refrigerantes diz muito da época de fartura e prosperidade que existe no mundo hoje. Conseguir comida no passado era infinitamente mais complexo e difícil se compararmos com as facilidades modernas. O que o vídeo da menina apaixonada por brócolis nos leva a refletir é o exemplo que estamos dando a partir do que cozinhamos e comemos. A nossa surpresa no vídeo não deveria ser em relação aos bons hábitos alimentares da criança (ensinados pela mãe), mas de termos achado chocante alguém trocar Nutella por um brócolis.

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