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Em: Doces e Sobremesas, Receitas

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Receita de mole poblano de guajolote peru com molho de chocolate picante

Receita de mole poblano de guajolote (peru com molho de chocolate picante)

Prep Time 2 minutes
Cook Time 30 minutes
Total Time 32 minutes
Servings 4 porções

Ingredients
  

  • 1 peru novo
  • 16 xícaras (4 l) de água
  • 4 dentes alho
  • 1 colher sopa de sal
  • ½ xícaras (1
  • 220 g chiles anchos sem sementes nem membranas
  • 90 g chiles pasillas sem sementes nem membranas
  • 315 g chiles mulatos sem sementes nem membranas
  • 4 chiles chipotles
  • 750 g tomates
  • 1 cebola grosseiramente picada
  • 10 dentes alho
  • 155 g amêndoas peladas
  • 105 g amendoins descascadas
  • 8 cravos-da-índia inteiros
  • 4 g rãos de pimenta preta
  • 4 cm de canela em pau
  • ½ colher chá de semente de anis
  • 90 g passas
  • 90 g chocolate amargo (para cozinha)
  • 1 colher sopa de açúcar
  • 2 colheres sopa de sal
  • ½ xícara gergelim

O chef David Lechtig sugere uma opção criativa e tradicional do México para inovar as ceias natalinas por aqui: Mole Poblano de Guajolote. O mole poblano de pollo (frango) é um prato clássico, muito servido em festas e ocasiões especiais, no México. Já para o Natal, é comum substituir o frango pelo guajalote (peru). Mas com o preço da carne nas alturas, fazer a receita com frango, modo tradicional da receita, é também uma excelente pedida.

Dizem que esse lendário prato foi criado em Puebla no século XVII pela Irmã Andrea de la Asuncion, uma freira dominicana do convento de Santa Rosa, e que a receita original incluía mais de uma centena de ingredientes. Atualmente, o mole continua a ser um prato clássico para ocasiões festivas, como Natal, casamentos e batizados. Dica: convém preparar o molho com antecedência, adicionando o peru apenas quando for reaquecido.

O chef David Lechtig, dos restaurantes El Paso, sugere uma receita inovadora para as ceias natalinas

Ingredientes porção para 10 a 12 pessoas:

  • 1 peru novo, com cerca de 4kg, cortado em pedaços
  • 16 xícaras (4 l) de água
  • 4 dentes de alho
  • ½ cebola
  • 1 colher de sopa de sal

Molho:

  • ½ xícaras (1,25 dl) mais 2 colheres de sopa de óleo
  • 220g de chiles anchos sem sementes nem membranas
  • 90g de chiles pasillas sem sementes nem membranas
  • 315g de chiles mulatos sem sementes nem membranas
  • 4 chiles chipotles
  • 750g de tomates
  • 1 cebola grosseiramente picada
  • 10 dentes de alho
  • 155g de amêndoas peladas
  • 105g de amendoins descascadas
  • 8 cravos-da-índia inteiros
  • 4 grãos de pimenta preta
  • 4cm de canela em pau
  • ½ colher de chá de semente de anis
  • 90g de passas
  • 90g de chocolate amargo (para cozinha)
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 2 colheres de sopa de sal
  • ½ xícara de gergelim

Obs.: as pimentas (chiles) serão substituídas por espécies locais, porém semelhantes em gosto e textura.

Modo de preparo:

1 – Coloque o peru, a água, o alho, a cebola e o sal em uma panela. Leve a ferver, tampe e deixe cozer em fogo brando durante 1 hora ou até o peru estar cozido. Escorra, reservando o caldo e deixe a parte.

2 – Para fazer o molho, aqueça 2 colheres de sopa de óleo em uma frigideira, junte os chiles anchos, pasillas e mulatos e doure entre 1 e 2 minutos. Transfira para uma tigela, cubra com água quente e deixe de molho durante 30 minutos. Escorra-os e triture-os. Ponha a parte.

3 – Asse os chiles chipotles e os tomates. Pegue os tomates, transfira-os para um liquidificador, junte os chiles chipotles e faca um purê. Ponha a parte.

4 – No mesmo óleo em que salteou os chiles, salteie a cebola e o alho entre 2 e 3 minutos. Transfira para o mesmo liquidificador. Ainda no mesmo óleo, salteie as amêndoas durante 5 minutos. Junte os amendoins, os cravinhos, os grãos de pimenta, a canela e anis e salteie durante mais 3 minutos. Continue colocando no liquidificador junte as passas e faça um purê.

5 – Aqueça a xícara de óleo na panela grande. Misture todos os purês, e coloque-os na panela. Deixe cozer durante 5 minutos, mexendo sempre. Junte o chocolate e o açúcar, mexendo constantemente. Quando a mistura começar a ferver, junte 4 xícaras (1 l) de caldo de peru. Tampe e deixe cozer em fogo baixo durante 20 minutos. Adicione o sal e retifique a pimenta, caso esteja muito forte, agregar tortilhas de milho secas. Se o molho estiver excessivamente espesso, junte mais caldo.

6 – Coloque os pedaços de peru, tampe a panela e deixe cozinhar durante 10 minutos. Doure o gergelim numa frigideira, sobre fogo brando, ate ficar dourado. Sirva o Mole de peru quente, polvilhado com gergelim.

A Gastronomia como Patrimônio Cultural

A alimentação humana é muito mais do que necessidade biológica — é linguagem, identidade e memória. O antropólogo Claude Lévi-Strauss, em sua obra seminal O Cru e o Cozido (1964), argumentou que a distinção entre alimentos crus e cozidos é a primeira e mais fundamental distinção cultural da humanidade: cozinhar transforma natureza em cultura, e cada técnica culinária é uma declaração filosófica sobre quem somos. Cada receita que passa de geração em geração carrega não apenas ingredientes e técnicas, mas histórias de migração, adaptação, escassez, abundância e criatividade.

O Brasil ocupa uma posição única na gastronomia mundial por ser o resultado de três grandes encontros culinários: a cozinha indígena (com seus processos de fermentação, uso de raízes, peixe e frutas amazônicas), a cozinha africana (com o dendê, quiabo, amendoim, coco e as técnicas de cozimento lento) e a cozinha europeia (principalmente portuguesa, com seu azeite, bacalhau, vinhos e doçaria conventual). A essa base, somaram-se as contribuições de japoneses, italianos, alemães, sírio-libaneses e tantos outros grupos que chegaram a partir do século XIX, enriquecendo ainda mais o mosaico culinário brasileiro.

Por que Cozinhar em Casa Faz Diferença

Pesquisas consistentes demonstram que pessoas que cozinham em casa regularmente têm dietas nutricionalmente superiores às que dependem de alimentação industrializada ou de restaurantes. Um estudo publicado no Public Health Nutrition com 9.569 participantes mostrou que quem cozinha mais de 5 vezes por semana consome 137 calorias a menos por refeição, mais vegetais e menos gorduras saturadas do que quem raramente cozinha. Além disso, o ato de cozinhar em si tem benefícios documentados para a saúde mental: é uma atividade mindfulness, de foco no presente, que combina criatividade, técnica e resultados tangíveis — uma receita (literalmente) para reduzir estresse e ansiedade.

O desperdício alimentar é outro fator onde cozinhar em casa faz grande diferença: quando temos controle sobre os ingredientes, usamos sobras de forma criativa, reduzindo o descarte. O Brasil desperdiça 46 milhões de toneladas de alimentos por ano — mais do que a produção total de muitos países — e grande parte desse desperdício ocorre no nível doméstico. Receitas que aproveitam cascas, talos e sementes não são apenas economia: são posicionamento ético diante de um sistema alimentar que precisa urgentemente de mudança.

Ingredientes de Qualidade: O Segredo Mais Simples

Chefs de restaurantes com estrelas Michelin frequentemente revelam que seu maior segredo não é a técnica — é a qualidade dos ingredientes. Um tomate cultivado lentamente em solo rico, colhido maduro, tem um perfil de sabor incomparavelmente superior ao tomate verde colhido antes do ponto e amadurecido artificialmente em câmaras frigoríficas. O mesmo vale para azeite extravirgem de primeira prensagem versus óleo refinado, para queijo artesanal versus processado, para frango de granja versus criação convencional. Apoiar produtores locais, mercados de agricultores e feiras orgânicas não é apenas escolha gastronômica — é investimento na biodiversidade alimentar, na saúde do solo e na economia das comunidades rurais.

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