Após ouvir e aprender muito com os jurados Erick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, o brasiliense Vinícius Rossignolli segue colocando os ensinamentos em prática. Nos próximos meses, o representante da Capital na temporada 2018 do MasterChef Brasil pretende lançar um novo projeto novo. Atualmente, o cozinheiro está em conversas com a Band para colocar no ar um programa de gastronomia, onde a ênfase vai ser nas iguarias do Cerrado.“Estamos com conversas avançadas e o objetivo do projeto é mostrar a riqueza desse bioma e como ele pode proporcionar experiências gastronômicas únicas”, revela o chef.Vale destacar que essa não é a primeira experiência de Vinícius com na telinha. No ano passado, ele comandou o Programa Sabores, na TV Brasília. O semanal teve uma importância tão grande na carreira do cozinheiro, que chegou a lhe render o Prêmio Novo Olhar para o Turismo, da Secretária de Turismo do Governo do Distrito Federal. “Era uma forma de reconhecer profissionais que atuaram no desenvolvimento do turismo local”, explica. Nos episódios, ele visitava parques do DF e mostrava curiosidades gastronômicas. Ele venceu em categoria a qual concorria com personalidades como o empresário Paulo Octávio e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, entre outros.Outro objetivo para breve é montar o próprio restaurante. “Eu não penso em sair de Brasília. Pelo contrário, quero fazer com que as pessoas de fora venham para cá por meio da gastronomia”, destaca o chef Vinícius.Publicitário de formação, com pós-graduação em gestão de negócios, o guaraense de 34 anos viu a vida dar um giro completo quando entrou para o MasterChef Brasil, em 2018. Após o programa, ele percebeu que tinha um dom especial. De acordo com ele, o foco deixou de ser fazer comida. “A comida é o caminho, o instrumento. Meu foco é fazer pessoas felizes”, enfatiza.Ainda falando sobre os projetos para 2021. Rossignolli pretende divulgar o Cerrado local e internacionalmente. “Quero levar esse sabor para outros paladares, mas preciso primeiro ensinar o valor desse bioma para nossa gente. Nem nós conhecemos o Cerrado profundamente”, conta. A previsão é a criação de um laboratório para pesquisas sobre os frutos, o lançamento de novas linhas de produtos e muito mais.
O peso do MasterChef na carreira
A virada na vida de Vinícius Rossignoli tem data: 2018, quando entrou para o MasterChef Brasil e descobriu um talento que a formação em publicidade não previa. Na competição, aprendeu com jurados de peso como Erick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, este último conhecido pelos pratos autorais que serve no Sal Gastronomia e no Jamile. O contato com esse nível de exigência moldou a forma como o brasiliense passou a enxergar a cozinha.
Mais do que técnicas, o programa deu a Rossignoli uma direção. A frase que ele repete — “a comida é o caminho, o instrumento; meu foco é fazer pessoas felizes” — resume a guinada de quem trocou o mercado publicitário pela gastronomia e transformou um dom recém-descoberto em projeto de vida.
O Cerrado como protagonista
O grande projeto do chef é levar a riqueza do Cerrado a outros paladares. O bioma do Centro-Oeste guarda uma despensa de sabores ainda pouco explorada fora da região, com frutos de personalidade marcante que rendem pratos, doces e bebidas. Entre os ingredientes que Rossignoli quer valorizar estão:
- Pequi, símbolo da culinária goiana
- Baru, castanha nativa de sabor amendoado
- Buriti, fruta alaranjada rica em vitamina A
- Cagaita e cajá-manga, de acidez refrescante
- Gabiroba, doce e aromática
A ambição vai além da cozinha: o chef fala em criar um laboratório de pesquisa sobre os frutos do Cerrado e lançar novas linhas de produtos, num esforço para que o próprio brasileiro conheça melhor esse patrimônio antes de exportá-lo.
Da capital para a TV
A volta de Rossignoli à televisão, em conversas avançadas com a Band, aposta em um programa dedicado às iguarias do Cerrado. A proposta dialoga com um movimento maior da gastronomia brasileira, que tem buscado nos ingredientes regionais uma identidade própria, longe das referências importadas. Firme na decisão de não deixar Brasília, o chef quer fazer o caminho inverso: atrair gente de fora para conhecer a capital por meio da comida.
Nosso Veredito
Vinícius Rossignoli representa bem a leva de cozinheiros que o MasterChef ajudou a revelar e que hoje constroem carreiras consistentes longe dos holofotes do programa. Sua aposta no Cerrado é, ao mesmo tempo, oportuna e necessária: dá visibilidade a um bioma subestimado e ancora sua cozinha em algo genuinamente local. Na nossa avaliação, é o tipo de projeto que merece torcida — valoriza o produtor brasileiro e amplia o mapa gastronômico do país para além do eixo de sempre.
O movimento da comida regional brasileira
A aposta de Vinícius Rossignoli no Cerrado faz parte de uma virada mais ampla na gastronomia nacional. Depois de décadas mirando referências europeias, uma nova geração de chefs passou a olhar para dentro do país, redescobrindo ingredientes nativos, técnicas tradicionais e produtores locais. Esse movimento valoriza a biodiversidade brasileira e ajuda a construir uma identidade culinária menos dependente de modelos importados.
O Cerrado, em especial, ainda é um território pouco explorado nesse mapa. Seus frutos têm sabores intensos e personalidade própria, mas esbarram na falta de cadeias de produção estruturadas e no desconhecimento do próprio público. Iniciativas como a do chef brasiliense ajudam a encurtar essa distância, transformando curiosidade em pratos e, com o tempo, em cultura de consumo.
Levar o Cerrado à mesa, portanto, é mais do que uma escolha estética: é uma forma de preservar saberes, gerar renda para comunidades locais e dar ao comensal uma experiência que conta a história do território. Quando um chef aposta nesse caminho, ajuda a transformar ingredientes esquecidos em protagonistas e a inspirar outros cozinheiros a fazer o mesmo, num efeito que beneficia toda a cadeia.
Perguntas frequentes
Quem é Vinícius Rossignoli?
Cozinheiro brasiliense, publicitário de formação, que ganhou projeção ao participar do MasterChef Brasil em 2018. Hoje se dedica a valorizar a gastronomia do Cerrado e a fazer carreira na televisão e na cozinha em Brasília.
Qual o foco do trabalho de Rossignoli?
Valorizar os ingredientes do Cerrado, como pequi, baru, buriti e cagaita, levando esse patrimônio a novos paladares. Ele planeja um laboratório de pesquisa sobre os frutos do bioma e novas linhas de produtos.
Rossignoli já apresentou programa de TV?
Sim. Ele comandou o Programa Sabores, na TV Brasília, percorrendo parques do DF e mostrando curiosidades gastronômicas. O trabalho lhe rendeu o Prêmio Novo Olhar para o Turismo, da Secretaria de Turismo do DF.
O que é o Cerrado na gastronomia?
O Cerrado é um bioma com uma despensa rica e pouco explorada fora do Centro-Oeste, com frutos de sabor marcante como pequi, baru, buriti, cagaita e gabiroba, que rendem pratos, doces e bebidas de identidade regional.
Com quais jurados Rossignoli aprendeu no MasterChef?
Durante a temporada de 2018, ele recebeu orientações de Erick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, contato que moldou sua forma de enxergar a cozinha profissional.
