Máquina do tempo: o sorvete americano

sorvete americano

Podem ainda não ter inventado uma máquina do tempo, mas é possível voltar vários anos ao experimentar sabores marcantes do passado. E um exemplo claro disso é quando se tem a sorte de encontrar alguém que ainda faça o sorvete americano. A geração mais nova pode se confundir com o nome. Não é nenhuma franquia norte-americana e sim um tipo de sorvete bem mais simples e que, antigamente, era muito popular nas ruas.

Hoje em dia é muito comum achar máquinas que fazem sorvetes na hora, mas o assunto aqui é outra coisa. As populares possuem praticamente os mesmos sabores: baunilha, chocolate ou mista. A máquina que marcou a infância de muitas pessoas, entretanto, é uma relíquia. Com um gostinho de nostalgia, ela já encanta pela aparência, pois mostra uma infinidade de sabores coloridos. Cada cor representa um sabor, que poderia ser tutti-frutti, groselha, uva, maçã verde etc. Vale ressaltar que o sabor é bem suave, o que pode ser frustrante para os desavisados.

sorvete americano

O cliente escolhe o gosto que deseja e vê o sorvete sendo feito na hora. Não é algo rápido como nas máquinas atuais. É um processo mais demorado e que exige paciência. Mas vale a pena esperar e suportar o barulho produzido pela máquina. O sorvete não sai com um formato bonitinho e é comum também que ele já comece com a cor e gosto que o cliente anterior pediu! Tudo isso faz parte das coisas que lembram a infância.

A casquinha usada geralmente era aquela bem simples, que hoje só se encontra em distribuidoras de doces com maria-mole dentro. É uma casquinha bem leve e que tem aspecto de isopor. Em Brasília, já nos anos 2000, era possível degustar esse sorvete no Guará e na Feira dos Importados, mas agora é uma raridade. Dizem que existe em algum ponto do Parque da Cidade, mas é preciso confirmar essa informação. Em outros estados é possível encontrar, como em Cascavel, no Paraná.

Quem tomava na infância o significado do sorvete americano. Era um tanto simples e delicado, de uma época bem diferente. É injusto compará-lo com o que pode ser encontrado hoje. O que faz o sorvete americano ser uma experiência imperdível não é o gosto em si, mas a capacidade de fazer com que se reviva um período distante.


Agradecimentos especiais ao fotógrafo Cassio Crow por ceder a imagem principal que ilustra este texto.

Michel Toronaga
Michel Toronaga

Jornalista brasiliense, cinéfilo. Acredita que a comida é uma troca de energia e que a cozinha é o lugar da casa onde todos se tornam iguais. Como parte de sua herança familiar, é fã de curry japonês, embora não abra mão de uma bela farofinha.

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